O nosso
carinho e respeito pela Mãe de Jesus e nossa Mãe, muitas vezes é causa
de atrito e acusações infundadas contra nós, católicos.
Mas
será mesmo que honrar a Mãe de Jesus é realmente idolatria? Será que
honrar a Mãe de Jesus é realmente adorar uma "falsa deusa".
Os católicos e Nossa Senhora
Bom,
primeiramente não temos Maria Santíssima como uma deusa, e sim, como
uma serva de Seu Filho Jesus Cristo. A temos como a primeira cristã, a
temos como Nossa Mãe, como Jesus mesmo disse quando estava na cruz,
conforme podemos ver no Evangelho segundo São João, capítulo 19,
verísulos 25-26 "Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe"
e também a temos como nossa poderosa intercessora junto a Jesus Cristo.
O primeiro milagre público de Jesus, foi por intercessão de Maria como
podemos ver no Evangelho segundo São João, capítulo 2, dos versículos
1-12 em que Jesus transforma água em vinho. Nessa passagem do Santo
Evangelho, podemos ver que a vontade Dela, Maria é que as pessoas
seguissem Seu Filho Jesus, conforme no capítulo 5 "Fazei o que ele vos disser".
Algumas
pessoas difamam Nossa Senhora, alegando dizer que Ela é a rainha do céu
mencionada no livro de Jeremias, capítulo 7, versículo 18 "Os filhos juntam lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres sovam a
massa para fazer tortas destinadas à rainha do céu, depois fazem
libações a deuses estranhos, o que provoca a minha ira", contudo
essa rainha mencionada nessa passagem é uma deusa assíria babilônica,
chamada por alguns grupos da época de Astarote ou Astarte por outros.
Acreditavam que essa rainha era a esposa de Baal. Nossa Senhora não é
essa rainha! Maria era humana e israelita, portanto não há absolutamente
nenhuma ligação entre as duas.
Maria
é Nossa Mãe, é Nossa Senhora por conta de Jesus e não o contrário,
Jesus não é Nosso Senhor por conta de Maria. Padre Paulo Ricardo faz uma
comparação simples mas esclarecedora, ele diz que falar que Maria é
mais que Cristo, ou mesmo que se equipare a Cristo é a mesma coisa que
querer comparar a luz do sol e a luz da lua. Ora, a lua não tem luz, ela
apenas reflete a luz do sol. Maria é a mesma coisa, Maria apenas
reflete a Luz de Cristo!
Mas
você pode estar pensando, mas não é Jesus Cristo o único mediador?! Com
certeza, Jesus é o único mediador, mas fazemos parte do Corpo de
Cristo, conforme vemos em I Coríntios 12, 12 "Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros
do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo".
Jesus Cristo é a cabeça do Corpo, nós somos seus membros. Como ficaria
um corpo só com a cabeça? Ou só com as pernas? Ou só com os pés? O Corpo
de Cristo é completo e perfeito, Ele é a cabeça e nós, seus membros.
Muitas vezes pedimos intercessão a tantas pessoas e por que não acreditar na intercessão de Maria, que esta na Glória de Deus?!
Maria
foi a pessoa que esteve com Jesus em todo período da Sua vida, desde a
concepção, nascimento, crescimento, ministério e morte. Imagine que você
esteja procurando Jesus ainda criança, Maria estará lá, ou Jesus na
adolescência, Maria estará lá, ou Jesus na cruz, Maria estará lá aos Pés
da Cruz.
Maria
esteve no nascimento da Igreja, em Pentecostes, conforme podemos ver no
livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículo 14 diz "Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele".
Quando medito o terceiro mistério gozoso do Santo Terço que é o batismo
do Espírito Santo, eu imagino os Apóstolos ali, orando e sempre
contanto com a intercessão de Maria, desde o início da Igreja. Pois eles
sabiam da estreita ligação entre Maria e Jesus, sabiam também que Jesus
estava vivo e certamente contavam com intercessão de Nossa Mãe.
Nossa Senhora na Bíblia
A
Sagrada Escritura é repleta de passagens que fazem prefigurações a
Nossa Senhora. Podemos citar algumas, como por exemplo em Gênesis, no
primeiro livro da Bíblia, no capítulo 3, versículo 15 "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar”.
Até pouco tempo atrás, eu ficava profundamente magoado e com raiva
quando via alguém falar mal de Nossa Senhora, mas comecei a refletir as
passagens bíblicas e essa me veio muito forte ao coração quando estava
em oração, que haverá inimizade entre a descendência da serpente e da
mulher e se estamos sendo difamados é por que estamos do lado certo.
Hoje, procuro rezar por essas pessoas, que na grande maioria das vezes
não tem culpa alguma de ter pensamentos dessa forma, pois foram
doutrinadas para tanto. Podemos ver no capítulo 13 de Apocalipse, que
não são exatamente essas pessoas que blasfemam, mas sim o inimigo
conforme versículo 5 e 6 "Foi-lhe dada a faculdade de proferir
arrogâncias e blasfêmias, e foi-lhe dado o poder de agir por quarenta e
dois meses. Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra Deus, para
blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os habitantes do céu".
No capítulo 12 de Apocalipse nos versículos de 1 ao 8 menciona a grande batalha entre o dragão e a mulher como podemos ver "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma
Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma
coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à
terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à
luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as
nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto
de Deus e do seu trono. A
Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um
retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles".
Essa passagem bíblica não deixa dúvidas nem mesmo para os que não têm
fé, que essa mulher é Maria grávida de Jesus. Nitidamente narra, a fuga
de Maria ainda grávida para o Egito, fugindo do rei Herodes.
Nossa
Senhora é a rainha dos céus, como podemos ver na passagem do Evangelho
segundo São Mateus, capítulo 20, versículos 20 ao 23 "Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus
dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua
esquerda. Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe. De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha
direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder.
Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou". Mas de quem será esse lugar que Jesus disse, vamos ver no livro de Salmos, capítulo 44, versículo 10 "Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir" e no último versículo desse mesmo capítulo vai dizer "Celebrarei vosso nome através das gerações. E os povos vos louvarão eternamente". No Evangelho segundo São Lucas, capítulo 1, versículo 48 vai dizer claramente "porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações".
Maria
é e sempre foi serva, Ela não "disputa" com Jesus como alguns pensam e
dizem, o capítulo 1 de São Lucas há um lindo louvor a Deus, proferido
por Maria do capítulo 46 ao 55:
"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre"
Nossa Senhora virgem perpétua
Maria era virgem, conforme podemos ver no livro do profeta Isaías, capítulo 7, versículo 14 "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco", e em São Mateus, capítulo 1, versículo 18 "Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José.
Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito
Santo".
Muitos
dizem que Maria foi virgem apenas até o nascimento de Jesus e que
depois do nascimento, Maria teve relações com José e mais filhos, pois
alguns entendem que quando é mencionado a palavra "primogênito" entendem
que haverão outros filhos, mas no livro de Zacarias, capítulo 12,
versículo 10 vai dizer "Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um
espírito de boa vontade e de prece, e eles voltarão os seus olhos para
mim. Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um
filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito!".
A
palavra "irmão" em hebraico é utilizada para designar parentesco para
primos e sobrinhos e até mesmo, primos de segundo grau. Por exemplo, nas
passagens bíblicas de São Mateus e São Marcos, em que Jesus chama
Tiago, José, Judas e Simão de irmãos, na verdade eles são primos de
Jesus. Jesus era neto de Joaquim e Ana, filho de Maria e Jacó era pai de
São José e Cléofas. E Cléofas era pai de Tiago, José, Judas e Simão.
Portanto Jesus não era irmão e sim primo. Até hoje a palavra "irmão" é
usada com bastante frequência em algumas denominações cristãs, sendo que
nem mesmo vínculo de parentesco há.
Nossa Senhora no Catecismo da Igreja Católica
A
Igreja Católica tem três pilares de fé, a Tradição, o Magistério e a
Palavra de Deus. Não temos apenas a Bíblia como única fonte de fé, até
por que, a Bíblia surgiu da Igreja e não o contrário. Antes mesmo de
haver Bíblia a Igreja já existia. A Bíblia terminou de ser escrita no
ano 100 d. C., ou seja, já passado 100 anos de cristianismo. Não existia
a Bíblia como conhecemos hoje, ela foi compilada pela Igreja Católica
separando os livros inspirados por Deus e os livros apócrifos, ou seja,
os livros que não eram de inspiração divina, que são utilizados apenas
como fonte histórica.
Como
a Bíblia foi compilada a luz da tradição apostólica, a Igreja recomenda
que a interpretação seja também feita pela Igreja e não que seja
interpretada de forma pessoal. A própria Palavra de Deus diz isso em 2
Pedro, capítulo 1, versículo 20 e 21 "Antes de tudo, sabei que
nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais
uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade
humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus" e no livro de São Paulo aos Efésios vai dizer no capítulo 3, versículo 10 "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem
conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina".
Por
isso a Igreja Católica Apostólica Romana proclama os dogmas. É
proclamado um dogma quando não há clareza de fé, ou seja, os registros
escritos deixam brecha para mais entendimentos. Nesses casos, o
Magistério da Igreja, com toda a tradição de dois mil anos proclama o
dogma. Assim são alguns dogmas de Nossa Senhora. O próprio conceito de
"Trindade" que temos hoje e utilizado não somente por nós católicos, mas
também por muitos protestantes é um dogma católico.
Com isso, a Igreja proclamou os dogmas de Nossa Senhora, que não eles:
Maternidade Divina
O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como sendo o do Messias
prometido a Israel: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um salvador que é Cristo, Senhor
(Lc 2, 11). Desde a origem, Ele é Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo (Jo
10, 36), concebido como santo no seio virginal de Maria. José foi
convidado por Deus a levar para sua casa Maria, sua esposa, grávida
d'Aquele que nela
foi gerado pelo poder do Espírito Santo (Mt 1, 20), para que Jesus, chamado Cristo, nascesse da esposa de José, na
descendência messiânica de David (Mt 1, 16) (33). CIC 437
Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem. CIC 456
A Anunciação a Maria inaugura a plenitude dos tempos (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a
conceber Aquele em quem habitará corporalmente toda a plenitude da Divindade (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu como será isto, se Eu não conheço homem?
(Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: O Espírito Santo virá sobre ti
(Lc 1, 35).
A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho.
O Espírito Santo, que é o Senhor que dá a Vida, é enviado para
santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a
conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua.
Tendo
sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai
é Cristo, isto é, ungido pelo Espírito Santo, desde o
princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se
venha a
fazer progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Baptista, aos
discípulos. Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, como Deus
O ungiu com o Espírito Santo e o poder (Act 10, 38). CIC 484-486
Imaculada Conceição
Para vir a ser Mãe do Salvador,
Maria foi adornada por Deus com dons dignos
de uma tão grande missão. O anjo Gabriel, no momento da
Anunciação, saúda-a como cheia de graça. Efectivamente, para
poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era
necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus. CIC 490
Os
Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus a toda santa,
celebram-na como imune de toda a mancha de pecado, visto que o
próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura.
Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao
longo de toda a vida. CIC 493
Maria é sempre virgem
O
aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar
a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus
feito homem. Com efeito, o nascimento de
Cristo não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal da sua Mãe.
CIC 499
Maria é, ao mesmo tempo, virgem e
mãe, porque é a figura e a mais perfeita
realização da Igreja: Por sua vez, a Igreja, que contempla a sua
santidade
misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai,
torna-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da Palavra de
Deus: efectivamente, pela pregação e pelo Baptismo, gera, para uma vida
nova e
imortal, os filhos concebidos por acção do Espírito Santo e nascidos de
Deus. E
também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu esposo. CIC 507
Assunção de Maria
Finalmente, a Virgem
Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original,
terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao
céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se
conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e
vencedor do
pecado e da morte. A Assunção da santíssima Virgem é uma
singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da
ressurreição dos outros cristãos. CIC 966
A Paz!
Fernando Y. Kanizawa
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